sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

"Aproveita gente que o forró tá quente"


No ano do centenário de nascimento de Luiz Gonzaga, a música nordestina está em evidência. Nesta reportagem falaremos sobre a origem, a evolução e as derivações de diversos gêneros que saíram do Nordeste. Além de uma matéria com uma banda bem diferente que faz da arte do forró o espetáculo da atual campeã Alagoana a Quadrilha Junina Rosa dos Ventos Alagoana.
A história do forró nos conta que originalmente, forró era a denominação que se dava ao lugar onde as pessoas se reuniam com a única finalidade de festejar, não existindo grupos específicos nesses locais. Qualquer pessoa podia participar da festa, fosse aristocrata, senhor, escravo. O folclorista potiguar Luís Câmara Cascudo, estudioso de manifestações culturais populares, defende que o termo originou-se da palavra ‘forrobodó’, de origem bantu (Tronco linguístico africano que influenciou o idioma brasileiro, sendo base cultural de identidade no Brasil escravista), que significa: arrasta pé, farra, confusão, desordem, remetendo à diversidade de pessoas nas festas.
O forró foi tornando-se uma dança tipicamente brasileira depois que os negros escravos, na região nordeste do país, se afeiçoaram ao Schottich, uma cadência musical de origem alemã que era dançada nas festas da aristocracia brasileira da época e também nos forrós. Este gênero musical parece ter desembarcado em solo brasileiro em 1851, na bagagem de José Maria Toussaint. Não tardou e logo os escravos adaptaram a música a seus próprios gingados, transformando a batida do Schottich em batidas de Xote. Com o tempo, o Schottich foi sendo esquecido e o xote o único ritmo a embalar os forrós.
O forró é talvez o único estilo de música regional que se tornou nacional. O centenário de Gonzaga é uma forma de dar visibilidade a todos os artistas sejam eles conhecidos ou não na arte do forró: nomes como Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Dominguinhos, Sivuca, Hermeto Pascoal, Genival Lacerda, Abdias, Marinês, entre tantos outros.

(Conhecido como "O Mago da Sanfona”, Abdias seguiu a escola de Luiz Gonzaga vestindo as roupas de cangaceiro.)

("A Rainha do Xaxado", Marinês. Segundo Genival Lacerda dizia que ela tinha a voz mais bonita do Nordeste)


(Jackson do Pandeiro O "Rei do Ritmo" compôs mais de 400 músicas e gravou mais de 120 discos)

Esses são apenas alguns dos personagens que contam a trajetória de como o xote, xaxado, baião e forró entra para a história mas os holofotes são justos e é natural que eles se voltem, em sua maioria, ao rei do baião.
Luiz Gonzaga do Nascimento foi o maior expoente artístico do Baião e responsável por imprimir um formato urbano e popular ao gênero. Desde os anos 30 do século passado, Gonzaga já era relativamente conhecido como sanfoneiro em sua cidade natal – Exu (PE).  Porém, só em 1941 teve sua primeira aparição televisiva no programa Ary Barroso cantando vira e mexe, o que lhe rendeu o primeiro contrato de sua carreira.
Gonzaga viveu em tempos esplendidos desde então, até 1954, pois o surgimento da Bossa Nova nessa época afastou o artista dos palcos dos grandes centros e o fez limitar suas apresentações a cidades do interior, onde sempre foi extremamente popular. Nos anos 70 e 80 Luiz Gonzaga voltou à cena, graças, principalmente, às releituras de sua obra, feitas por artistas como Geraldo Vandré, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento e seu filho Gonzaguinha.

(O imortal Luiz Gonzaga)

A partir da década de 80 também houve uma saturação do forró tradicional (conhecido como pé de serra) e surge no Ceará um novo meio de fazer forró, com a introdução de instrumentos eletrônicos (tais como guitarra, bateria e teclado). Também as letras deixaram de ter foco na seca e no sofrimento dos nordestinos e passou a abortar conteúdos que atraíam os jovens. O gênero nos dias de hoje, chega ao forró eletrônico (no Ceará) e ao forró universitário (em São Paulo).
Desde que Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira ensinaram ao Brasil como se dança o baião, nos anos 1940, nossa música nunca mais foi a mesma. Ao baião juntaram-se xaxado, coco, arrasta-pé, xote e outros ritmos nordestinos: assim nasceu o forró. Sete décadas depois, ele resiste como um dos mais autênticos gêneros musicais brasileiros, sobrevivendo aos modismos, às bruscas mudanças do mercado fonográfico e ao desaparecimento de alguns dos seus principais representantes.

CAMPINA GRANDE OU CARUARU!

A guerra mais gostosa que temos no nordeste é entre essas duas cidades históricas na arte de fazer o maior são João do mundo. Então não podíamos falar do forró sem passear por essas duas grandes do nordeste:
 Antes já se dançava forró e se comemorava o São João em Campina Grande. Havia dança de forró em sítios, granjas e fazendas. Com o tempo, todas as atrações, barracas e tudo que se encontra no São João de Campina foram aparecendo: comidas típicas, artesanatos, os palcos, quadrilhas, ilhas de forró, cenários, casamento coletivo, trem do forró, etc. e assim eles adotaram o tema que gerou essa rivalidade: a consagrada marca "Maior São João do Mundo" entre os principais festejos populares brasileiros.

(CAMPINA GRANDE – PB)

Caruaru não fica por baixo nesta disputa, Caruaru tem os mesmos 30 dias de festa, público de 1,5 milhão e ainda coleciona recordes: o Guinness Book registra o maior cuscuz do mundo, cozido num panelão de 3,20 metros de altura, e o maior pé-de-moleque, com 1,5 tonelada. Além disso adotando também o tema de: capital do forró.



E como é bom ter tudo isso aqui no nordeste porém, até nisso o forró torna ainda mais próximo duas cidades, afinal os personagens que tocam e encantam nessa época com certeza migram de uma cidade a outra.

O QUE É NOSSO!!!

E nosso passeio está chegando ao fim porém, pra terminar com um gostinho e tanto não poderíamos deixar de prestigiar os talentos de nossa terra.  Com exatos 9 anos recém completados neste dia 13.01.13 a Quadrilha Rosa dos Ventos Alagoana nos permitiu uma matéria com seu trio de sanfoneiros e cantores. Confiram na íntegra:

ROSA DOS VENTOS ALAGOANA SUA HISTÓRIA COM O FORRÓ!

”Roseiro, sangue Rosa quadrilheiro, esse amor que tens no peito, é maior que o coração. Trago no Rosa a força do ser feminino na minha canção, o Rosa é festejo junino, eu sou um Roseiro vou entrar ligeiro no seu coração.”



É assim que ela entra e encanta por onde passa. Quadrilha considerada ainda nova no estado de Alagoas com apenas 9 anos de luta e amor a tradição junina. Mas isso não foi motivo pra que em sua curta trajetória tornar-se tão ou quanto importante não só no cenário alagoano como no nordeste inteiro.
Colecionadora de diversos títulos como:
TRI - CAMPEÃ FORRÓ E FOLIA 2010, BI-CAMPEÃ ATALAIA 2010, Vice-Campeã do Campeonato Nordestão de Quadrilhas Juninas (Recife - PE), BI- CAMPEÃ FORRÓ E FOLIA, CAMPEÃ ALAGOANA 2009, CAMPEÃ ANADIA 2009, CAMPEÃ RIO LARGO 2009, 3° LUGAR ATALAIA 2009, 5ª MELHOR QUADRILHA DO NORDESTE (REDE GLOBO NORDESTE) – 2009, 3ª MELHOR QUADRILHA DO NORDESTE (REDE GLOBO NORDESTE) -2008. Atualmente Campeã Alagoana 2012 e 5ª Melhor Quadrilha do Nordeste no campeonato do Ceará tão consagrado o Nordestão.
Com tudo isso por ser uma vertente do bom forró, afinal o que move uma quadrilha são nossos personagens citados ao logo da reportagem e a Rosa sempre teve seu trio de sanfoneiros, formados juntos com sua história marcante.

Trio Rosa dos ventos
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A rosa sempre teve um trio de sanfona acompanhando ao vivo a quadrilha. Entre esse grupo façamos destaques aos cantores Junior Santana e Sueli Alves. Com músicas de autoria própria eles embalam o ritmo da sanfona, do triângulo e da zabumba. O diretor da quadrilha Toninho Lessa nos relatou a dificuldade que é manter um trio, pois envolve investimentos altos para se ter uma banda não só no mês de Junho porém, antes no mínimo um mês acompanhando todos os ensaios.
Mas eles fazem por amor, as vezes recebendo com atraso, as vezes saindo de madrugada dos ensaios, enfrentando horas nas viagens. Mas essa é a vida de um trio de quadrilha. Porém, nos encantaram a simplicidade e a valorização da cultura nordestina.
Com o pouco que mostramos das raízes do forró deixamos a certeza que esse ritmo é empolgante e a cada dia, mais e mais pessoas estão reconhecendo-o como uma das maiores sínteses da cultural brasileira. Então aproveite e arroche o nó!

(Modificado em 12/01/2013)

17 comentários:

  1. Como o forró é meu ritmo preferido sou suspeita para dizer que amei essa reportagem, estão todos de parabéns.Luiz Gonzaga, para esse não existem comentários.

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  2. Nossa, que incrível ler sobre esse assunto. Sou uma admirador do forró tradicional, acho de uma riqueza imensa para a cultura brasileira, e um ritmo que realmente marca o nosso nordeste, Parabéns!

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  3. Adorei a reportagem de vocês,como sempre,nós do nordeste amamos forró e tudo que existe na nossa região.estão de parabéns!

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  4. Excelente texto!
    Admiro muito o forró tradicional, é sempre bom conhecer a história de assuntos que apreciamos e fazem parte da nossa cultura.
    Mesmo com muitas variações existentes no forró, Luiz Gonzaga vem logo à mente quando se fala sobre o ritmo. Foi quem deu o toque providencial para popularizar o gênero (baião), graças ao seu talento nas composições e sua magia musical.

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  5. Acho que sou a única que não gosta muito de forró rsrsrs, mas admiro toda cultura por trás desse ritmo, a sua história mostrada nesse texto me encantou!!

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    1. Leilane,começa assim, gostando pouco,depois mais pouquinho,quando perceber está apaixonada pelo forró,rsrsrs.Obrigado pelo comentário!

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  6. Forro, nordeste, Luiz Gonsaga. Parabens ao pessoal do blog. Mas seguindo o comentario da leilane, tambem nao sou muito fa de forro, porem admiro a forma a clareza a qual escreveram.. Parabens!
    At. Nayane Farias

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    1. Nayane,o forró têm a cara do povo nordestino,mesmo não gostando muito do forró ele está no sangue do nordestino.Obrigado pelo comentário!

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  7. Gente, o tema é sim interessante, e é bom para nós nordestinos, conhecer nossa cultura e de onde ela veio e como surgiu. Porém, eu considerei mais esse texto como uma notícia do que como uma reportagem e achei que vocês deveriam ter ido mais a fundo, só que de forma mais objetiva. Ter comentários, argumentações.
    Deu muito ar de "pesquisa do Google".

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  8. OXENTE!
    Esse tema é bom demais da conta! rsrsrs
    Mais uma vez a cultura nordestina sendo bem representada!
    Parabéns pessoal!!!

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  9. eu sou suspeita pra falar desse tema pois vivo ele na veia. mais o forró é isso. representa totalmente o que é ser nordestino no ritmo, nas letras, na melodia. e principalmente na simplicidade. afinal o tema está ai pra ser apreciado e entendido de maneira direta sem muitos floreios.

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  10. Gostei do tema. Concordo quando afirmam que "Atualmente o forró tradicional se ouve apenas em lugares específicos e tocado por grupos ou trios que visam manter as raízes do forró que teve seu auge nas décadas de 50 e 60." LAMENTAVELMENTE.

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  11. Me sinto orgulhosa pelo meu Nordeste, pela minha cultura, vocês vêm mais uma vez reforçar o quanto a nossa região brilha. O forró é encantador e é uma característica nossa que nunca morre, está sempre em alta, sempre bem representado.

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  12. É inegável a excelência cultural que acompanha o sertanejo, principalmente quando se trata de música. O forró (raiz) sempre foi um ritmo muito presente na minha casa, cresci ouvindo muito Gonzaga e Cara Véia. O texto é bastante informativo, dinâmico, bem articulado; Creio somente que faltou o fator básico de uma reportagem que são as entrevistas.

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    1. Luan,concordo com você,fator básico que faltou,estamos providenciado!

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  13. Este comentário foi removido pelo autor.

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  14. Caros alunos,

    O texto publicado não pode ser considerado uma reportagem, visto que apresenta somente característica de textos informativos. Falta aprofundamento no tema, análise de ideias, discussões, análises de diferentes pontos de vista, de dados de diferentes fontes e de diferentes pessoas relacionadas ao assunto.

    Além disso, há trechos copiados literalmente de outros sites. A introdução, por exemplo, foi copiada integralmente da internet.

    Desenvolvam um texto que se aproxime mais do gênero reportagem. No e-mail port1.ufal@gmail.com podem ser encontrados materiais sobre o gênero.

    Bom trabalho!

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